Em caso de despressurização, a máscara em você primeiro

em caso de despressurização

 
Todos conhecem aquela pessoa que se doa e ajuda todos a sua volta, mas acaba esquecendo de si e deixando suas próprias necessidades de lado. Esse comportamento, apesar de nobre, pode gerar consequências negativas e uma vida infeliz.

Esse post é uma ode ao egoísmo e você pode discordar de mim, mas meu ponto é: não é sustentável ser uma pessoa generosa sem uma boa dose de egoísmo primeiro.

 

O verdadeiro altruísmo

Existiria ou não o verdadeiro altruísmo?

António Damásio, médico neurologista e neurocientista, concordaria com a afirmação de Joey de que não existem boas ações verdadeiramente altruístas. Ele dedicou sua vida a estudar as emoções e motivações humanas sob uma perspectiva evolucionista. Em seu livro “O erro de Descartes”, afirma sobre o altruísmo:

“Além do auxílio que os altruístas trazem aos outros, podem fazer bem para si próprios na forma de reconhecimento social, honra e afeto público, prestígio, autoestima e até mesmo vantagem financeira.”

O autor ainda complementa que estes comportamentos teriam um benefício adicional: permitiram evitar o sofrimento futuro provocado pela vergonha de não ter agido com altruísmo.

Enfim, independente da crença ou não no verdadeiro altruísmo, pode existir um risco muito alto para o bem-feitor se ele não cuida de suas necessidades primeiro. O que nos leva ao dilema do cuidador.
 

O dilema do cuidador

Alguém que cuida do outro deve primeiramente cuidar de si mesmo. Lembro do episódio de Baywatch em que os salva-vidas aprendem que, se durante um salvamento uma onda jogar o salva-vidas e a vítima em direção a uma formação rochosa, o salvador deve posicionar a vítima para ser impactada na sua frente, protegendo a si mesmo. Ou seja, é cada um por si se você não estiver vivo, como poderá levar a vítima de volta à terra-firme?

baywatch

Baywatch também é cultura

É o mesmo caso das orientações de segurança em uma viagem de avião: “Em caso de descompressão e o uso das máscaras de oxigênio for necessário, você deve colocar primeiro a máscara em você próprio para depois auxiliar outras pessoas, mesmo que seus filhos ou idosos”.

Como ajudar ou outros se você não estiver em 100% da sua capacidade física e psicológica? É importante levar esse ensinamento pra vida.
 

O mundo precisa de você no seu melhor

É o que defende Scott Adams, no seu livro “How to Fail at Almost Everything and Still Win Big”:

“Pessoas generosas cuidam de suas próprias necessidades primeiro. Na verdade, fazer isso é um necessidade moral. O mundo precisa de você no seu melhor.”

Ou seja, ser egoísta não torna você um sociopata. É uma questão de pensar estrategicamente a longo prazo. Uma vez que as suas necessidades pessoais estejam supridas, seus pensamentos podem se voltar a como tornar o “mundo dos outros” um lugar melhor.

cuidar de si mesmo é a coisa menos egoísta que você pode fazer
Podemos fazer um paralelo com as grandes evoluções da humanidade, que se deram em momentos de abundância de recursos. A abundância de eletricidade baixou o custo de sua utilização, permitindo um avanço tecnológico sem precedentes. Com a diminuição exponencial no custo dos micro transistores, estamos vivendo a era de abundância dos microprocessadores, deixando a tecnologia e a internet cada vez mais presente em nossa vida.

Mas como defende Chris Anderson, em seu livro “Free”, a abundância de um recurso tende a gerar seu desperdício. E isso não seria não seria totalmente negativo. Para gerar disrupções e evoluções reais é preciso não ter medo do desperdício. Testar soluções não comprovadas é “desperdiçar” recursos. E isso só pode ser feito se você não estiver se preocupando em economizar.

O cuidar de si e dos outros funciona da mesma forma. É quando você tem dedicação a si mesmo em abundância, atendendo suas necessidades e anseios, que pode dedicar sua atenção ao outro de forma plena, com mais potencial de gerar resultados reais.

Para isso, Scott Adams defende um modelo parecido com a pirâmide hierárquica de necessidades de Maslow: é necessário atender primeiro suas necessidades pessoais, para posteriormente pensar em como fazer do mundo um lugar melhor.

Seres humanos estariam programados para pensar primeiro em sua sobrevivência, depois na sobrevivência de sua família, de sua “tribo”, país e, por consequência final, do mundo.

 

Post muito longo, não li nada:

Talvez o verdadeiro altruísmo não exista, mas isso não importa. Não é porque ele é um característica evolutiva do ser humano que deixa de ter valor.

É melhor ajudar os outros quando você está em 100% da sua capacidade física e mental. Lembre-se de colocar a mascara de oxigênio em você primeiro.

Ser egoísta não te faz necessariamente um sociopata. Pense a longo prazo e reúna seus recursos para gerar um impacto positivo sem se prejudicar no processo.

 

About Marcos Malagris 9 Articles

Publicitário, professor de inteligência de mídias sociais e estudante de psicologia. Quando não está questionando verdades sobre a vida, o universo e tudo mais, joga videogame e toca ukulele.

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