Você está construindo sua carreira da forma errada

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Dentre as diversas coisas erradas no mundo tradicional do trabalho, uma chamou minha atenção nos últimos dias, lendo o livro Personal Development for Smart People: o modo como estruturamos nossas carreiras em torno de cargos e não de uma missão.

Toda a nossa formação, do colégio à faculdade, é endereçada à construção de uma carreira. Suas motivações, seus desejos, seus sonhos… Nada disso importa. O que você precisa é escolher uma profissão e começar a trabalhar assim completar esse processo de “formação”, buscando cargos que paguem bem e tenham prestigio social.

Se você teve sorte na vida, pode até tentar escolher uma profissão que te interesse mais que as outras disponíveis e começar a construir uma carreira que te abasteça com algum significado.

Muito se fala sobre a busca por propósito no ambiente corporativo, mas encontrar um significado no trabalho não é só o mantra da geração Y. Maslow já defendia que após as necessidades básicas atendidas, o caminho natural seria buscar algo mais “profundo”.

Logo, é natural que após uma certa estabilidade na carreira escolhida, se é que isso é possível, comecemos a nos questionar os porquês do nosso estilo de vida.

O problema nesse caminho “natural” é que o foco está no meio e não na mensagem.

o meio é a mensagem

O meio é a mensagem?

 

Cargos são apenas meios para a expressão da sua mensagem

Indo direto à questão, o grande problema é que a maioria dos cargos é definida em termos de meios. Temos por exemplo médicos, advogados, pilotos etc. Mas o que esses cargos significam? O que eles representam de verdade?

A resposta é: nada. Eles são apenas termos que vieram de um processo de ultra-especialização desencadeado a partir da Revolução Industrial, em que as pessoas têm funções muito claramente definidas, para desempenhar repetidamente uma função, um cargo. Mas um cargo é apenas um meio.

E agora o ponto principal: o meio é como você se expressa, mas a mensagem é o que você expressa, ou seja, sua missão.

 

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Um dia normal na vida de um cara que tem um cargo mas não tem uma missão

 

As pessoas podem exercer suas missões a partir de diferentes meios. Por exemplo, digamos que a missão da sua vida é salvar animais. Esse é o seu porquê, o que te motiva para acordar toda manhã. Para passar essa sua mensagem para o mundo, você pode escolher diversos meios (ou cargos), como veterinária, direito ambiental, pesquisador, guarda florestal, entre inúmeras outras opções.

Uma pessoa pode ter escolhido o cargo de professor, porque sente que a sua missão é educar, ensinar. Mas ela também poderia passar a sua mensagem como médico, técnico de futebol, gestor de uma multinacional etc.

E não é porque duas pessoas têm um mesmo cargo, que elas tem uma mesma missão.

 

A verdadeira carreira é construída em volta de uma mensagem e não de um meio

 

Simpson - Vampire is not a career choice

Quando olhamos para trás na história, conseguimos encontrar exemplos de pessoas que transcenderam o conceito de cargos, como Leonardo DaVinci, Martin Luther King Jr., Einstein, e filósofos e pesquisadores que se arriscaram em diversas áreas muitas vezes sem uma conexão explícita. Estes recorreram a diversos “cargos” para expressar sua verdadeira mensagem, ou propósito no mundo.

Este deveria ser o verdadeiro conceito de carreira.

A provocação aqui é:

  1. Você já parou para refletir sobre qual é a sua missão? O seu propósito no mundo?
  2.  

  3. O cargo que você ocupa atualmente permite que você o use como meio para propagar sua mensagem?

Acredito que possamos ter mais de uma missão na vida ou diferentes missões em diferentes momentos. De cara pensei em duas que fazem sentido para mim: tornar a internet melhor e fazer pessoas refletirem e questionarem o que consideram o óbvio. Atualmente divido minha vida entre três “cargos” (publicitário, professor e futuro psicólogo) e fico feliz de acreditar que consigo entregar as minhas mensagens através deles.

Gostaria de ouvir as missões de vocês nos comentários. Fica a dica do autor do livro citado no início do post para essa difícil tarefa:

Escreva, “qual é o meu verdadeiro propósito nessa vida?” Anote sua resposta. Repita o processo, até escrever algo que faça você chorar.
– Steve Pavlina

 

About Marcos Malagris 9 Articles

Publicitário, professor de inteligência de mídias sociais e estudante de psicologia. Quando não está questionando verdades sobre a vida, o universo e tudo mais, joga videogame e toca ukulele.

8 Comments on Você está construindo sua carreira da forma errada

  1. A minha é desconstruir para reconstruir. Faço isso por meio da minha militância que perpassa todos os cargos e funções que desempenho. Eu milito, problematizo e no fim estabeleço trocas e aprendizados com as pessoas. E é muito bom, no fim é o que me motiva a levantar todos os dias e a seguir andarilhando. E hoje o faço por mim, mas também me inspiro na geração de crianças que crescem com a minha filha e que têm direito a um mundo menos opressor e mais empático e sensível.

  2. Muito inspirador o texto! 🙂

    Fiquei refletindo sobre o processo de busca do propósito. Apesar de entender que seria uma busca interna e particular, imagino possam existir alguns estímulos que nos ajudem a chegar lá (tomara!).

    No meu caso, apesar de pensar muito no assunto, ainda não consegui chegar em nenhuma conclusão (algo que me fizesse chorar – Pavlina). Fico imaginando se a dificuldade é maior para quem tem um perfil mais generalista ou se é falta de autoconhecimento mesmo… rs

    Seria o ponto de partida nossos talentos e fortalezas? Tem metodologia para colar nessa prova? 😉

  3. Oi La,
    Acho que a questão de ser generalista não é um problema, o mundo precisa de pessoas generalistas e acredito que existam “missões” que requerem esse tipo de pessoa, que consiga conectar conhecimentos que a princípio parecem distintos.

    Esse processo de autoconhecimento para descobrir sua missão não tem duração pré-definida. Parece que tem gente que já nasce sabendo exatamente o que quer deixar para o mundo, enquanto outras só descobrem na terceira idade. O importante é que essa é a busca mais válida de todas e não podemos desistir.

    É legal começar mapeando os momentos em que você se sente mais feliz no dentro e fora do trabalho, tentando encontrar o que eles tem em comum. E também procurar os momentos em que você sentiu que realmente fez a diferença para o mundo ou para alguém específico.

    Se você não consegue pensar em momentos assim, tem que experimentar fazer mais coisas diferentes até encontrar alguns exemplos.

    Acredito que passe pelos nossos talentos e fortalezas, mas só se você de fato gosta de aplicá-los. Ser muito bom em algo que você não gosta é irrelevante e pode até te distrair nessa busca. =)

    Boa sorte!

  4. Realmente o autoconhecimento é a chave para assumirmos a nossa missão. A partir dessa leitura pude refletir e reconhecer que um “bom cargo’ e status social duram por pouco tempo no interior de alguém que ainda não sabe ou ainda não conectou sua missão à tal carreira.

    Ótimo texto, Parabéns!

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